My Beloved Cliché
Quando eu ando pelos forums por aí, a palavra que eu mais leio é cliché. Nossa, é incrível como as pessoas amam essa palavra. Mas eu, sinceramente, não gosto do jeito que as pessoas tratam essa palavra. Na verdade, eu acho que dizer que algo é cliché da forma como essas pessoas costumam dizer chega a ser algo tão vazio como não ter dito nada.
De que forma, você deve estar se perguntando. Considerando tudo o que já foi visto alguma outra vez na vida como sendo um cliché. Acho que o termo cliché deveria ser usado apenas para idéias realmente passadas, como o garoto de 15 anos que é acordado pela mamãe para salvar o mundo ou algo do tipo.
Mas então, quando que se deve pegar leve e deixar de considerar uma idéia cliché? Acredito eu que quando essa idéia tem um forte valor na questão semiótica, o fato de já estar muito usado ou não não interfere mais na qualidade.
Para os que não sabem, a semiótica é a ciência que estuda o significado das coisas que rodeiam o ser humano. Quando eu digo “forte valor na questão semiótica”, eu quero falar sobre o fato de uma idéia já estar tão batida a ponto de já ser referência, e não apenas uma idéia se repetindo.
Pra começar com um exemplo simples, vamos imaginar uma situação onde “inimigo vermelhos são de fogo e azuis são de gelo”, ou “inimigos grandes são fortes e inimigos pequenos são rápidos”. Isso pode ser considerado por muitos algo bastante chavão, mas também há o valor simbólico. Estamos acostumados a encontrar um inimigo vermelho e grande e então pegar nossas armas de gelo e um bom escudo. Se você quer que o jogador passe mais tempo em outras situações do jogo do que morrendo por perceber que o inimigo vermelho grande na verdade era um demônio elétrico super rápido imune à água, é válido levar em conta esse “cliché”.
Logicamente, contrariar essas “regras” sempre é original, mas deve-se saber quando e onde utilizar esses elementos já conhecidos para facilitar a vida do jogador e mantê-lo mais ocupado nas tarefas relamente originais e que interessam. E também vale lembrar que todo artista de vanguarda iniciou na forma tradicional, então explore todos os signos já conhecidos antes de tentar criar novos!
em Julho 20, 2008 em 8:45 pm
Cliché é o Felipi falando de semiótica! \o/
Ééé, não dá pra imaginar um coelho de 15cm pesando toneladas e andando devagar. o.o
Aquela parte em que tu fala, “Acredito eu que quando essa idéia tem um forte valor na questão semiótica, o fato de já estar muito usado ou não não interfere mais na qualidade.”, eu concordo, vai atingir a qualidade se colocar algo totalmente desconhecido e fora de contexto ._., utlizando o mesmo exemplo, eu não ia gostar de ver um bicho azul que solta fogo misturado com raios, tipo tem um dos “poderes” do Kirby: “Stone + Spark: Electric rope tied to stone” ve se pode u.u, uma pedrinha presa em eletricidade estática? @_@
É meio estranho, (mas não é totalmente fora de contexto), mas não baixou a qualidade do jogo afinal um dos maiores atrativos é a combinação de poderes e as transformações da bola rosa.
Tá eu to me contradizendo, falando coisas nada a ver, mas eu tentei. >_<